A história dos produtos de cariz sexual acompanha a própria evolução da civilização, transformando-se de objetos rituais e terapêuticos em símbolos de liberdade e tecnologia.
Da Antiguidade aos Mitos
Os registos mais antigos de objetos para o prazer remontam à Idade da Pedra. Arqueólogos já encontraram falos de pedra polida com mais de 28 mil anos de idade. No Antigo Egito e na Grécia Antiga, estes objetos, muitas vezes feitos de couro, madeira ou pedra, estavam ligados a rituais de fertilidade e ao culto a deuses como Dionísio.
Havia também a busca pela contracepção e proteção. De acordo com o Grupo de Incentivo à Vida (GIV), os antigos egípcios usavam uma mistura de mel e bicarbonato de sódio como barreira, enquanto os chineses criavam versões primitivas de preservativos com papel de seda untado em óleo.
Existem também mitos famosos, como o de que a rainha Cleópatra teria inventado o primeiro vibrador do mundo ao encher uma cabaça oca com abelhas vivas para gerar vibração. Embora seja uma lenda popularizada, ela demonstra como o engenho humano sempre procurou o estímulo sexual.
A Era Vitoriana e a “Histeria”
No século XIX, a perspetiva sobre o prazer mudou radicalmente. O prazer feminino era um tabu social e os sintomas de frustração sexual, ansiedade ou insónia nas mulheres eram diagnosticados como uma doença médica chamada “histeria”.
Os médicos tratavam as pacientes através de uma técnica manual conhecida como “massagem pélvica” para alcançar o “paroxismo histérico” (o orgasmo). Como o processo era demorado e cansativo para os clínicos, o médico britânico Joseph Mortimer Granville patenteou, por volta de 1880, o primeiro vibrador eletromecânico. Ironicamente, o aparelho foi inventado como um dispositivo médico hospitalar muito antes de ser comercializado para o uso doméstico e privado.
O Pós-Guerra e a Criação da Primeira Sex Shop
A verdadeira revolução comercial dos produtos sexuais aconteceu no século XX e foi liderada por uma mulher. Na Alemanha do pós-guerra, a ex-piloto de aviação Beate Uhse começou a vender panfletos com informações sobre o método da tabelinha para ajudar mulheres a evitar gravidezes indesejadas num período económico muito difícil.
O sucesso foi tão grande que, em 1962, Beate Uhse abriu em Flensburg aquela que é considerada a primeira sex shop do mundo, batizada inicialmente de “Instituto de Higiene Conjugal” para evitar a censura da época. O espaço vendia preservativos, manuais e os primeiros brinquedos sexuais modernos, abrindo caminho para a Revolução Sexual da década de 1960.
A Era Moderna e a Tecnologia de Ponta
Nas décadas de 1970 e 1980, o mercado expandiu-se com a introdução de novos materiais, como o plástico e o silicone, tornando os produtos mais seguros, higiénicos e diversificados. O foco começou a mudar do mercado puramente pornográfico para o bem-estar e a saúde sexual. Autores e investigadores, como os mencionados em artigos do jornal Público, começaram a documentar estes objetos como reflexos diretos da evolução social e cultural da humanidade.
Hoje, a indústria de produtos sexuais movimenta milhares de milhões de euros globalmente. Os produtos evoluíram para incluir:
Tecnologia de ondas de pressão: Dispositivos que estimulam sem contacto físico direto.
Teledildónica: Brinquedos sexuais controlados à distância através de aplicações de smartphone e inteligência artificial, ideais para relações de longa distância.
Design inclusivo e ergonómico: Foco na neutralidade de género, na acessibilidade e na quebra definitiva do estigma.
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